“Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8,51-59): A Eternidade do Cordeiro que se Imola por nós no Santíssimo Sacramento
Hoje, na Quinta-feira da 5ª Semana da Quaresma, a Igreja nos apresenta o Evangelho segundo São João 8,51-59. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), revela sua divindade eterna: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Os judeus, escandalizados, pegam pedras para apedrejá-lo. Que mistério profundo! O mesmo “Eu Sou” que Moisés ouviu na sarça ardente (Ex 3,14) agora se apresenta como o Cordeiro eterno, presente no Sacrário, vivo e verdadeiro, pronto para ser adorado.
1º Mistério – O Batismo do Senhor no Jordão
O Pai proclama do céu: “Este é o meu Filho amado”. Santo Agostinho, Tractatus in Ioannem mostra que Aquele que era antes de Abraão desce ao Jordão para nos elevar à filiação divina. No Batismo, o Cordeiro se revela como o Filho eterno do Pai, o mesmo que hoje se esconde humildemente no Sacrário. Contemplemos essa manifestação de amor: o Cordeiro que tira o pecado do mundo recebe o Espírito para que nós, pecadores, possamos ser lavados e unidos a Ele na Eucaristia. Venha hoje adorar o Santíssimo Sacramento, onde o Cordeiro batizado continua a derramar sobre nós as águas da salvação e nos chama a guardar sua palavra para nunca provar a morte eterna.
2º Mistério – As Bodas de Caná
Jesus transforma a água em vinho para salvar a festa. São Tomás de Aquino, Catena Aurea ensina que o “Eu Sou” manifesta sua glória para preparar o vinho eucarístico que sacia a alma para sempre. No Evangelho de hoje, o Cordeiro eterno declara sua preexistência e, em Caná, Ele já antecipa o mistério do altar onde a água simples se torna Seu Sangue precioso. Que contemplação profunda: o mesmo Jesus que os judeus quiseram apedrejar é o Esposo que enche nossos corações vazios com o vinho novo da Eucaristia. Adoremos o Cordeiro que transforma nossa pobreza em abundância divina e nos convida a beber Dele no Sacrário para nunca mais ter sede.
3º Mistério – A Proclamação do Reino de Deus
“Convertei-vos e crede no Evangelho”. Santa Teresa d’Ávila, em Caminho de Perfeição recorda que no Santíssimo Sacramento o Cordeiro proclama seu Reino de amor e nos chama à conversão radical. No Evangelho, Jesus anuncia que quem guarda sua palavra não verá a morte, e hoje Ele continua a proclamar esse Reino do alto do Sacrário. O Cordeiro que existia antes de Abraão se faz pequeno para que entremos em seu Reino eucarístico. Contemplemos essa urgência: a Quaresma é tempo de deixar que o Cordeiro reine em nosso coração, de nos convertermos verdadeiramente e de crermos que Ele está realmente presente, vivo e amoroso, esperando nossa visita para nos dar vida eterna.
4º Mistério – A Transfiguração do Senhor
O rosto de Jesus resplandece como o sol. São João da Cruz, em Subida do Monte Carmelo afirma que a união com o Cordeiro transfigurado acontece no silêncio do Sacrário. No Evangelho de hoje, o “Eu Sou” revela sua glória divina e, na Transfiguração, Ele mostra aos discípulos o esplendor que os judeus não quiseram aceitar. Que graça imensa: o Cordeiro que os homens rejeitaram se transfigura para nos fortalecer na fé eucarística. Adoremos o Santíssimo Sacramento onde o mesmo esplendor está velado sob as aparências do pão e do vinho, convidando-nos a contemplar sua majestade e a nos deixarmos transformar por Ele nesta Quaresma.
5º Mistério – A Instituição da Eucaristia
“Tomai e comei: isto é o meu Corpo”. Santo Afonso de Ligório, em Visitas ao Santíssimo Sacramento recorda que no Sacrário o Cordeiro eterno continua a dizer “Eu Sou” e se dá como alimento. No Evangelho, Jesus afirma sua eternidade antes de Abraão e, na Última Ceia, Ele se entrega como o Cordeiro imolado para que tenhamos vida. Este é o ápice luminoso: o mesmo “Eu Sou” que escandalizou os judeus agora se faz nosso alimento diário. Venha adorar o Cordeiro que se imola por amor no altar e permanece vivo no Sacrário, pronto para nos unir a Ele na eternidade.
Análise contemplativa
O Catecismo confirma que a Eucaristia é o Sacrifício do Cordeiro eterno. Que esta Quaresma nos lance em adoração apaixonada e real: entremos no Sacrário, prostremo-nos e digamos com todo o coração “Meu Senhor e meu Deus, Cordeiro eterno, eu Te adoro!”.

